Macrophomina na soja: o que é a podridão-de-carvão, como reconhecer e como manejar

Macrophomina na soja: o que é a podridão-de-carvão, como reconhecer e como manejar

Resumo: A Macrophomina phaseolina é um fungo que vive no solo e causa a podridão-de-carvão na soja. Ela entra pela raiz, compromete o transporte de água e nutrientes e pode reduzir a produtividade antes de qualquer sintoma aparecer. Por isso, o manejo precisa começar antes da doença ficar visível, com solo bem estruturado, cobertura, nutrição equilibrada e manejo biológico.

Neste artigo, reunimos os principais pontos apresentados pelo Dr. Marcos Freitas, fitopatologista e responsável técnico da MSP Soluções Biológicas, na aula gratuita sobre o tema.

O que é a Macrophomina phaseolina?

A Macrophomina phaseolina é um fungo habitante de solo, causador da podridão-de-carvão. Ela ataca mais de 680 espécies de plantas, entre elas soja, milho, sorgo, algodão e até hortaliças, e é mais importante em regiões tropicais e subtropicais.

O fungo sobrevive no solo e na palhada na forma de microescleródios, pequenas estruturas escuras de resistência. Elas ficam na área de uma safra para outra, esperando condições favoráveis para germinar.

Por que ela é chamada de “fitopatógeno fantasma”?

Porque a infecção começa muito antes do prejuízo aparecer. O fungo pode infectar a planta logo no início do ciclo, mas os sintomas costumam surgir só mais tarde, quando a planta passa por calor e falta de água.

Quando o produtor percebe, o prejuízo já está consolidado. Nas estimativas apresentadas na aula, as perdas em soja e milho ficam entre 5 e 30 sacas por hectare.

Quais condições favorecem a podridão-de-carvão?

Calor no solo e estresse hídrico são os principais gatilhos. Os microescleródios germinam com o solo entre 30 °C e 35 °C, e a doença se agrava em períodos de veranico.

Isso não quer dizer que o fungo some nos anos de boa chuva. Ele continua na palhada e volta a agir na próxima janela de estresse. Com veranicos cada vez mais frequentes, o risco existe mesmo em safras com bom volume de chuva no total.

Solo compactado também agrava o problema, porque limita o crescimento das raízes e aumenta o estresse da planta.

Quais são os sintomas da Macrophomina na soja?

Os sinais mais comuns são:

  1. Plantas murchas em reboleiras, em manchas da lavoura, principalmente em períodos de calor e estresse hídrico.
  2. Raiz necrosada ao arrancar a planta.
  3. Pontinhos pretos no caule e na raiz: são os microescleródios, que dão nome à podridão-de-carvão.
  4. Morte prematura das plantas e antecipação do ciclo da cultura.

Em lavouras sob estresse severo, as perdas podem chegar a 15% a 70% da produtividade nas reboleiras afetadas.

Uma planta que parece sadia pode estar perdendo produtividade?

Sim. Em áreas com Macrophomina existem plantas mortas, plantas doentes e plantas que parecem sadias. Segundo os dados apresentados pelo Dr. Marcos, plantas infectadas podem ter:

  • Diâmetro do caule de 5% a 15% menor.
  • Até 70% menos vagens.
  • Peso de mil grãos de 10% a 30% menor.

Por isso, observar só a parte aérea não basta para saber se a lavoura está protegida.

Como identificar a Macrophomina na sua área?

O diagnóstico começa no solo. A análise de solo com foco fitopatológico mostra quantos microescleródios do fungo existem na área, o que ajuda a dimensionar o risco antes do plantio.

Na MSP, essa análise pode ser combinada com avaliações de fertilidade e de atividade microbiológica, para entender não só a presença do fungo, mas também as condições do solo que favorecem ou dificultam a doença. Conheça o nosso diagnóstico de doenças de plantas.

Como manejar a Macrophomina na soja?

Não existe uma solução única. O manejo recomendado é integrado e combina várias frentes:

Manejo físico e químico do solo

  • Descompactar as áreas com camadas adensadas.
  • Construir o perfil do solo, química e fisicamente.
  • Fazer rotação de culturas e usar plantas de cobertura, como Brachiaria spp.
  • Manter a palhada para reduzir a temperatura na superfície do solo.

Estratégias culturais e genéticas

  • Ajustar a época de semeadura e a densidade de plantas.
  • Usar semente de alto vigor.
  • Equilibrar a nutrição, com atenção a cálcio, à relação entre nitrogênio e potássio e ao boro.
  • Considerar a resistência genética das cultivares.

Tratamento de sementes e manejo biológico

O tratamento de sementes, químico ou biológico, protege a planta na fase inicial. No manejo biológico, o resultado depende de detalhes: qualidade do produto (comercial ou multiplicado), concentração e pureza, dose, posicionamento, compatibilidade com outros produtos da calda e tecnologia de aplicação, no sulco, na semente e na palhada.

Biológico não é aposta. É manejo, e funciona melhor quando parte de um diagnóstico da área.

Perguntas frequentes

A Macrophomina só causa prejuízo em ano seco?

Não. O fungo é favorecido por calor e falta de água, mas sobrevive na palhada e volta a agir no próximo veranico, mesmo em safras chuvosas.

Por que a doença se chama podridão-de-carvão?

Por causa dos microescleródios, pontinhos pretos que aparecem no caule e na raiz e dão aspecto de carvão ao tecido.

A Macrophomina ataca só a soja?

Não. Ela ataca mais de 680 espécies de plantas, incluindo milho, sorgo e algodão.

Dá para saber se o fungo está no meu solo antes do plantio?

Sim. A análise de solo com foco fitopatológico quantifica os microescleródios e ajuda a planejar o manejo da safra.

Existe um produto que resolve a Macrophomina sozinho?

Não. O controle eficiente vem do manejo integrado: solo, cultura, nutrição, tratamento de sementes e manejo biológico.

Assista à aula do Dr. Marcos

Assista à aula completa do Dr. Marcos

Uma aula gratuita sobre como identificar a Macrophomina e quais estratégias de manejo ajudam a reduzir os seus impactos na soja.

Assistir à aula no YouTube

Quer avaliar a sua área? Fale com a equipe técnica da MSP

Fontes

  • Aula “Macrophomina phaseolina: sintomas, perdas e manejo biológico”, Dr. Marcos Freitas, MSP Soluções Biológicas: YouTube
  • Farr, D. F.; Rossman, A. Y. (2021). Fungal Databases, USDA (citado na aula, para as mais de 680 hospedeiras).
  • Dias, L. A. et al. (2015). Quantificação de Macrophomina phaseolina e análise da atividade microbiana em áreas de soja com rotação de culturas. Embrapa

Autor: Dr. Marcos Freitas, engenheiro agrônomo (UFU), mestre e doutor em fitopatologia (UnB e UFLA), responsável técnico da MSP Soluções Biológicas.

Categoria:

Compartilhe: